sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os Pêssegos

                                                                                   Judas Isgorogota


Mando-te, amor, uns pêssegos, dourados,

aureolados de cetíneos fios;

tenros como os teus seios, perfumados,

frágeis, sedosos, tépidos, macios ...





Lembra teu colo, de veludo-rosa,

a polpa suave, sedutora, amena,

de indizível doçura, capitosa,

como o teu lábio de mulher morena...





Qual se de nétar fabricada fosse,

tem o sabor divino da ambrosia;

doce como os teus olhos, juraria

que só o sorriso teu é assim tão doce...





Toma-os nos braços teus, com tais cuidados

e de maneira tal todos unindo,

que, maduros que estão, de sazonados

não se vão machucando e diluindo...





Mas, abraçando-os, com efetivo encanto,

faze que os seios túrgidos, rosados,

juntos, agora, aos pêssegos dourados,

não se misturem nem se igualem tanto...





Não sorrias, amor, de meus receios...

Evitarás, assim, que estas amenas

visões, tão lindas — pêssegos e seios —

não me pareçam pêssegos, apenas...



* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *                                                                            

Nenhum comentário:

Postar um comentário